STOCK CAR 40 ANOS – GENTLEMEN START YOUR ENGINES!

Poderia começar pela volta dos Opalas com sua imagem retrô, a semelhança da extinta D1. Partir de 1979, o início da Stock-Car, uma idéia partida da GM se mirando nas lendárias e competitivas corridas da Nascar que dos pegas nas praias de Daytona, montaram seus circos automobilísticos nos autódromos na terra do Tio Sam.
A largada da Nascar em  Daytona Beach #1956. Essa prova foi vencida por  um Chrysler pilotado por Tim Flock, e teve um fato marcante,  a entrada do primeiro afroamericano na NASCAR, Charlie Scott, também de Chrysler . As baratas,  eram de propriedade do  Mr. Marine, Carl Kiekhaefer da Kiekhaefer Marine que vinha a ser chamar mais tarde, Mercury Marine  Foto divulgação

E depois pra a pista já asfaltada em 1959, inaugurando um novo ciclo na Nascar (abaixo/reprodução)!

 

Na “Velha escola dos Opalões”, sem tecnologia embargada e avanços que hoje vemos nos carros de rua facilitando as manobras mais ousadas. Hoje ela representada na “Old Stock Race“, que teve sua prova inaugural no Autódromo de Interlagos, em 20/12/2015, guardem essa data, porque recomeça ou reinicia uma jornada de emoções que teve seu início em 1979 no Autódromo de Tarumã.

Em 1979, a Stock Car” inaugurou sua história com Paulo Gomes campeão, e nada mais óbvio que o mesmo estar envolvido com a volta dos Opalas originais a pista, mas aí é outra história.

Para você que viveu essa época de início de história ou não, vamos relembrar o que foi a última prova de 1979, no seu primeiro ano da Stock Car, tendo Paulo Gomes como campeão, com conexão com Carlos De Paula:

“Chegava-se à última etapa do primeiro Campeonato Brasileiro de Stockcar, em 1979, com três pilotos com chance de ganhar o campeonato: Alencar Júnior, Affonso Giaffone e Paulo Gomes. A grande diferença deste campeonato e o da Super Vê em 1974 e D4 em 1975 é que este fora de longe o mais longo campeonato brasileiro até a ocasião, com quatorze corridas. Ou seja, o nível de competitividade foi ferrenho, uma situação menos avessa a zebras de curtos campeonatos de seis corridas, a norma do nosso automobilismo naquela era.

 

Vitória de Affonso Giaffone na 1° prova da Stock Car em 1979 no circuito de Tarumã  Foto Anais da História

 

Affonso Giaffone ganhou as primeiras três corridas e liderou o campeonato até a antepenúltima prova. É bem certo que estivera alijado de uma corrida por questão de saúde com começo da temporada, e de outra, por protesto e moto próprio. Será que o resultado teria sido o mesmo se tivesse disputado as 14 corridas? No fim das contas, acabou ganhando Paulo Gomes, que também deixou de participar da etapa de Cascavel. Na hora “h” a maior experiência de Paulão, que incluía Le Mans e uma temporada de F3 em seu currículo, contou muitos pontos, e ele fez o que devia fazer na hora certa.

 

No Autódromo de Jacarepaguá, sempre os duelos de Paulo Gomes e GIaffone ou com Raul Boesel, Disputas emocionantes no primeiro ano da categoria   Foto divulgação

 

Paulão contou também com um pouco de sorte, e com um acidente que basicamente tirou seus dois concorrentes da jogada. Liderou o campeonato somente em uma corrida, justo a que contava, a prova final. Ganhou a corrida e levou o caneco. De certa forma melhor assim. Se Alencar Júnior ou Affonso Giaffone tivessem ganho o campeonato, a coisa poderia ter terminado nos tribunais, tirando o brilhantismo da primeira temporada da Stockcars.

A última etapa do campeonato de 1979 começou diferente, pois na realidade ocorreu em 1980, em Interlagos. E ainda por cima dois dias antes do GP de F1, em 25 de janeiro. Ou seja, foi mais ou menos uma preliminar do GP, o que, se tirou um pouco do prestígio da coisa, garantiu excelente público, apesar de ocorrer numa sexta-feira!! O atraso se deu pelas incessantes reformas em Interlagos.

A grande novidade da prova foi a inscrição de Edgar Mello Filho, num dos carros de Jayme Silva. Edgar havia sido campeão da D3 em 1974 e da D1 em 1977. Ao todo 23 carros largariam na corrida de duas baterias, cuja classificação foi dominada por Paulo Gomes, seguido de Raul Boesel, Ingo Hoffman e Edgard Mello Filho, curiosamente, o melhor dos carros de Jayme. Affonso largaria em sexto e Alencar Junior em nono.

O campeonato mais ou menos se definiu na segunda volta da primeira bateria, quando diversos carros bateram, inclusive Edgard Mello Filho, Alencar Junior e Affonso Giaffone. Como em todos acidentes com muitos carros, houve muitas versões. Alencar Junior dizia que Edgard foi escalado por Jayme para caçá-lo. O fato é que Affonso entrou na curva dois atravessado, Edgard batteu em Alencar após frear, e Palhares bateu com tudo em Alencar. O campeonato de Alencar estava fortemente prejudicado, e as coisas também não ficam boas para Affonso, que durou mais uma volta na bateria. Enquanto isso, começava uma forte chuva e Paulo Gomes se manteve na frente, embora não tenha colocado muitos segundos de distância para Ingo, Boesel, Araujo e Sidney.

Alencar não largaria na segunda bateria, e embora Affonso tenha reparado seu carro, as chances de pontuar eram poucas. Por bem, por mal, Alencar Junior ainda liderava o campeonato, e alguma zebra poderia ocorrer com Paulo Gomes. Só que era o dia do Paulão, que largou na frente, embora tenha sido ultrapassado por Boesel. Muito óleo e borracha dificultava as coisas na pista molhada, e Boesel e Paulão davam show de pilotagem, com traçados diferentes a cada volta. Paulão voltou a liderar, mas a quebra do limpador de pára-brisas na quinta volta quase põe tudo a perder. Gomes deixa Boesel passá-lo, e gruda nele até o final. Boesel ganhou com 23m45,48s, seguido de Paulão com 23m45,83s. O terceiro na bateria foi Ingo, seguido de Affonso, que viu o campeonato escapar-lhe das mãos nas duas últimas provas. Na geral deu Paulo Gomes.

Em última análise, foi melhor assim, como disse antes. Se Alencar tivesse ganho, Affonso provavelmente teria feito de tudo para tentar cancelar a corrida de Cascavel, e provavelmente a de Interlagos também, alegando que Alencar o tirou da pista. Por outro lado, Alencar alegaria que a rodada de Affonso e a batida de Edgard foram propositais na última corrida, com o intuito de alijá-lo da prova. Teria sido feio. Paulão ganhou e bonito.

Resultado final da 14a. Etapa :

1. Paulo Gomes, 12v 46m12,78s (abaixo)

2. R. Boesel, 12v
3. I. Hoffmann, 12v
4. S. Alves, 12v
5. M. Motta, 12v
6. O. Araujo 12v
7. W. Travalgini, 12v
8. J. Nogueira, 12v
9. E. Villares, 12v
10. P. Valiengo, 12v
11. V. Spinelli, 11v
12. A. Alexandre, 11v
13. J. Testa, 11v
14. R. Lucas, 11v
15. A. Giaffone, 9v
NC R. Campello, 7v
NC J. Giaffone, 4v
NC J. Palhares, 4v
NC M. Goncalves, 3v
NC G. Scovoli, 3v
NC E. Melo Filho, 2v
NC A. Junior, 2v
NC R. De Nigris, 2v
Melhor volta Affonso Giaffone 3m35,43s

 

E aí se inicia a saga da “Stock Car”, a categoria mais premiada e produtora de campeões do automobilismo brasileiro!

 

(reprodução/Michael Barr Jr./Canal de badsnows/blogdoautomobilismo.com/Carlos de Paula)

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

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