EMILIO ZAMBELLO- GRANDE PILOTO DA ÉPOCA DE OURO DO NOSSO AUTOMOBILISMO

Emilio Virginio Zambello nasceu em Padova, no norte da Itália em 1926.

Após a guerra, Zambello comerciava com motos americanas recuperadas, que ficaram na Europa. Por lá participou de provas de bicicleta, e também de moto. Em 1950 migra para a Brasil, com 23 anos de idade. No início trabalhou na Atlantic, e lá conheceu o amigo Ruggero Peruzzo, que trabalhava como mecânico. No final de 1951, montam juntos uma oficina mecânica, na Av. Sen. Queiroz, esquina com a Rua 25 de Março no centro de SP, a qual deram o nome de “Garage Fulgor”.


A Garagem Fulgor ficava no centro de São Paulo e foi o primeiro dos muitos empreendimentos de sucesso de Emilio Zambello/Propaganda em jornal de época
Foto reprodução

Peruzzo cuidava da parte mecânica, e Zambello cuidava da compra de peças. Conheceu Ângelo Juliano, que tinha uma loja de peças na Av. São João, e que era frequentada pelos pilotos de corrida. Passaram a preparar os carros de pilotos como Celso Lara Barberis, Ico Ferreira e Godofredo Vianna Filho. Zambello ficou com a incumbência de testar os carros de corrida em Interlagos, e amaciar os motores.

Testando os carros, Zambello percebeu que os seus tempos, eram tão bons como os dos pilotos profissionais. Preparam na oficina um Fiat 600, e Zambello começou a correr com ele em 1954. Fez 3 corridas com este carro, e depois com SIMCA e Fiat com motores 1.100 e 1.200.

Para 1957 montaram uma carreteira Fiat “Fulgor”, que teve grande sucesso na categoria Turismo até 2.000. Para a “II Mil Milhas Brasileiras”, importaram um cabeçote Stanguellini, e correu em dupla com o sócio Ruggero Peruzzo. Chegaram em 10º lugar. Em sociedade com Peruzzo montam uma loja de peças a “Auto Peças Fulgor”.


Carretera Fiat Stanguellini correndo na Serra do Mar ao volante Emilio Zambello
Foto reprodução

Em 1958 corre algumas provas, e em dupla com Peruzzo de Cisitália 202, participam dos “500 Km de Interlagos” e chegam em 1º na categoria. Na “III Mil Milhas” correm de Fiat Stanguellini e chegam em 21º lugar (o Fiat não era páreo para as carreteiras).


1958 – Mil Milhas Brasileiras Foto reprodução

1958 – Prova Crônica Esportiva com a carretera Fiat #13 Foto reprodução

Em 1959 corre duas provas com bom resultado, e corre em dupla com Peruzzo a “IV Mil Milhas”, com SIMCA 1.221cc e chegam em 5º lugar.


Com o Fiat Topolino Nº 70 em meio as carreteras, mais potentes Foto reprodução

Em 1960 corre novamente a “V Mil Milhas” em dupla com Peruzzo, de Fiat, e chegam em 16º lugar.


1961 – Chegada dos 500 Quilômetros. Correndo com a Maserati Foto reprodução

Em 1961 compra uma Maserati 450S de Henrique Cassini, com o motor quebrado. Zambello foi a Itália, e comprou um motor novo para o carro. Corre o “IV 500 Km de Interlagos”, com a nova Maserati, em dupla com Peruzzo, e Celso Lara Barberis, e com mais um carro: uma Maserati 300S, que foi emprestada de José Gimenez Lopes. Ainda em 1961 corre a “VI Mil Milhas” de Alfa Giulietta em dupla com Peruzzo, chegam em 15º.

Em 1962 conhece em uma corrida, Piero Gancia, que seria seu parceiro em diversas provas com FNM JK.

Piero Gancia e Emilio Zambello em foto dos anos 60. Parceiros, amigos e sócios
Foto reprodução

Piero Gancia e Emilio Zambello Foto reprodução

Fritz D’Orey, Piero Gancia, Emilio Zambello e o mecânico Giuseppe Perego Foto reprodução

Em 1963 participa de 7 provas, com bons resultados. Nas “II° 500 Milhas de Porto Alegre”, corre em dupla com Marivaldo Fernandes de Berlineta (uma das poucas corridas com carro não Italiano). Ainda neste ano vende a sua parte na sociedade com Peruzzo, e abre em 1964 junto com Piero Gancia, a Jolly revendedora dos carros da marca Alfa Romeo (e depois Ferrari). No mesmo ano criam a equipe Jolly-Gancia. Giuseppe Perego, e Ruggero Peruzzo, passam a ser preparadores do carros da equipe.

Uma das poucas corridas, em que não usou um carro Italiano. Em dupla com Marivaldo Fernandes de Berlineta Foto reprodução

Marivaldo e Zambello vencedores dos Mil quilômetros de Brasília de 70 Foto reprodução

Piero Gancia na extrema esquerda cumprimenta Zambello pela vitória. No pódio Marivaldo Fernandes,, Bird Clemente e Chico Lameirão

1965 – Correndo com a Alfa Nº 25. – 3 Horas de Velocidade Foto reprodução

Correndo pela Jolly-Gancia em Piracicaba Foto reprodução

A equipe tornou-se uma das de maior sucesso, nos anos 60, onde os melhores pilotos da época passaram por lá. Em 1966 nas “24 Horas de Interlagos” a bordo de uma Giulia, e em dupla com Ubaldo César Lolli, chegam em 1º. Na inauguração do Autódromo de Pinhais no Paraná, na “I° 4 Horas de Curitiba”, chega novamente em 1º.

Em 1970 vence o “VI Mil Km de Brasília”. Em dupla com Piero Gancia, de FNM JK chegam em 5º na geral no “IV 24 Horas de Interlagos”. Em 1971 participa de sua última corrida como piloto, no “XII 500 Km de Interlagos”.


Jacarepaguá – Emílio Zambello na frente, seguido por Mario Olivetti, Emerson Fittipaldi e Sidney Cardoso Foto reprodução

Pouco depois os carros importados foram proibidos de correr, pelas novas regras, e assim terminou a Equipe Jolly-Gancia. As Alfas não podiam mais correr na categoria.

A última prova da Equipe Jolly, com Emilio ao volante da Alfa GTA-M, nos 500 Km de Interlagos no dia da independência Foto reprodução

A equipe acabou, mas a loja não fechou, e continuaram vendendo as Alfas até 1975. Montaram também uma metalúrgica “Jolly”. Foi vice-presidente do Automóvel Clube Paulista em 1990, e assumiu a presidência em 1996, com a morte de Ângelo Juliano. Nos deixou em 2014 aos 88 anos de idade.


Fontes de referência: Sites Nobres do Grid, Bandeira Quadriculada, Mocambo Blog do Jovino, Internet


Por Leonarde Pavani – administrador da página “OS PRECURSORES” e colunista do site Conexão Saloma.

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.