UM CAMPEÃO SEM TÍTULOS E SEM SORTE [GUARANY RICCI]

Este foi o estigma deste carro, que postei em sua última versão na Americana/Adempar (a mesma Equipe Itacolomy)
Foto reprodução

Muita gente confunde, achando que era o Opala da Hollywood que foi transformado nesta usina de força, na verdade era o antigo D3 do falecido Antonio Castro Prado, que foi comprado justamente por estar mais próximo do que acabaria ficando.

Quero que os amigos me desculpem e me corrijam por favor onde eu estiver errado, depois de quase meio século minha cabeça volta e meia falha em alguma informação (coisas da idade. kkkk).

Mas eu creio que ele tenha sido reprogramado pelo nosso querido Caio Luiz Mattos De Queiroz Telles o Caíto e para ser o autor da transformação trouxeram um senhor português chamado José, um senhor funileiro que sabia tudo de carros de corrida e que foi um dos responsáveis por este maravilhoso aparelho. E talvez a principal transformação tenha sido o recuo do motor em quase 50 centímetros, ficando o sexto cilindro mais ou menos dentro do que seria o painel de instrumentos original do carro e com o centro de gravidade bem mais baixo que o normal.

Nele foi colocado tudo de bom e do melhor, dentro do que havia a disposição na época ali foi instalado, era um projeto que seguia mais ou menos a receita daquele Opala Campeão do Pedro Vitor De Lamare, que depois foi do Edson Yoshikuma, que era um excelente D3.

Mas quase sempre em suas apresentações alguma coisa dava errado, um fio que escapava, um furo no pneu, nada de aparente importância costumava tirar de seu curriculum as suas merecidas vitórias.

Mas naquela semana com a nova Equipe reestruturada e com uns aprimoramentos nele instalados, a direção da Equipe resolveu participar de duas competições, uma em São Paulo com o saudoso Artur Bragantini e o José Rubens Coutinho Romano o (Coelho) para correr na D1. E para correr em Goiânia o Big Boss Campello que levou no seu staf o nosso Chefe de Equipe Pedro Victor De Lamare, mais um pessoal da cronometragem e para dar assistência na pista o meu querido e falecido amigo o José Ribamar o (Maranhão) e eu.

E como dizia o grande Fangio “carreras son carreras”, que só terminam na bandeirada e não tem conversa. E parece que as coisas começaram mal antes mesmo de sairmos, o caminhão que ficou de pegar o carro antes do almoço não apareceu, se atrasou sei lá por que motivo, muitas das vezes costumávamos ir naqueles caminhões cegonha junto com os carros.

Mas foi decidido que iríamos de ônibus e as nossas passagens estavam compradas para a uma da tarde e lá foi eu e o Maranhão para a Rodoviária enfrentar umas dez horas de busão.

Chegamos no hotel antes de todos, acontece que a prova a ser disputada tinha como principal adversário o Maverick do também falecido Paulo Prata, não sei o que aconteceu com a Equipe, pintou um clima de “já ganhou” o famoso “ovo na cloaca da galinha” kkkkkk.

E resolveram comemorar e varamos a madrugada naquela tal comemoração. Sete da manhã , um banho, café e vamos para o autódromo e nada do tal caminhão chegar, meio dia encosta o infeliz. Bóra tirar o tempo perdido, a revisão que costumávamos fazer foi muito superficial, pois o treino iria se iniciar às 13 horas , era fazer funcionar, carburar como deu e só.

Quando montei o slick traseiro esquerdo notei um vazamento do óleo do diferencial pelo retentor, mas dado ao tempo exíguo deixei para ver após o treino. Mas dias antes alguém trouxe dos EUA um conjunto de balanceiros “roletados” que teoricamente aumentaria o giro do motor, na oficina deu tudo certo parecia ótimo o resultado.

Mas o carro saiu para pista e nosso calvário começou, na segunda volta ele vem para box com o motor falhando muito, tinha engolido duas válvulas, algo nunca ocorrido. Pegamos o motor reserva com os mesmos balanceiros, o carro ainda saiu no final do treino, faltando dois minutos para fechar a pista ele volta com mais uma válvula engolida.

Era muito azar e nós viramos a primeira noite em busca de um milagre, pena que o Guiness Book não estive lá para conferir um record para mim e para o Maranhão, pois só iríamos saber o que era dormir no domingo na hora do almoço.

Ficamos dias acordados , feitos zumbis, para fazer o engenho funcionar , aconteceu de tudo, no total foram 3 motores para o lixo. Um defeito que muito tempo depois. iríamos descobrir graças ao grande preparador Claude Bes recentemente falecido que descobriu que os mesmos balanceiros, montados no carro do meu querido amigo Dado Andrade quando em regime de alta rotação raspavam na tampa de válvulas saltando de seus lugares e atropelando as referidas válvulas, que caiam dentro das câmaras de combustão.

O outro problema que descobri foi que as molas de competição ISKY exigiam que os berços fossem retrabalhados pois elas se fechavam na descida e ralavam o comando. Os cabeçotes americanos eram ligeiramente diferentes daqueles argentinos que usávamos por aqui. O problema da tampa de válvulas era mais questão de falta de observação.Também com isso solucionado éramos o D3 Opala mais rápido do Brasil. Bons tempos”. Dado Andrade

Mas esta foi só uma passagem deste carro que foi feito para vencer, mas acho que não convenceu. Depois de uns tempos, a equipe acabou por ser dissolvida e eu fui remanejado para ter uma função mais burocrática dentro da empresa.

Quanto ao D3 não me lembro que fim levou. Coisa de carros de corrida; um abraço a todos.


Por Guarany Ricci – Grupo Old Dvisão 3/Facebook e colunista – Conexão Saloma.

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

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