PEDRO VICTOR DE LAMARE – PILOTO DE SUCESSO, FUNDADOR DA PRIMEIRA ESCOLA DE PILOTOS NO BRASIL E CHEFE DE EQUIPE

De Lamare obstinado pelo automobilismo fez da sua carreira uma saga a ser seguida por gerações que olham para o esporte a motor uma lição de vida.

Pedro Victor DeLamare nasceu em Santos no litoral Paulista em 1936. Lá passou a infância e a adolescência. Desde cedo já tinha interesse pelas corridas e pela velocidade. Em 53 conhece Luiz Pereira Bueno, que ainda não era o piloto de sucesso que viria a ser mais tarde, mas tinha várias ligações no meio automobilístico, e foi o responsável pela introdução de Pedro Victor nas corridas.

Naquele ano ele ganha um VW zerinho do pai, como prêmio por ter passado no vestibular na faculdade de direito de Santos. Aliviou o peso do VW para correr, mas ainda não era o carro que ele idealizava. Trocou o VW por um MG-TC 1949, que preparou na oficina de Claudio Daniel Rodrigues (o mesmo que introduziu os Karts no Brasil). O teste do MG foi no circuito de “rachas” da Rua Augusta no centro de SP. O oponente era Pascoal Nastromagario com outro MG mais leve (com partes de alumínio) e com melhor performance (Pascoal já era piloto com experiencia).

Diante do resultado Pedro Victor, resolveu partir para as corridas de verdade. No ano seguinte disputou as “500 Milhas de Interlagos” em dupla com Marivaldo Fernandes, mas não conseguiram terminar por quebra do carro. Pedro Victor teve problemas financeiros para correr como muitos dos pilotos da época.


Com o Renault 1093 nº 84-número que ele sempre usou ao longo da carreira- impressionou Luiz Antonio Greco, que o convidou para participar da equipe Willys Foto AE

Em 65 ele preparou um Renault 1093 que ele tinha, na oficina Torke do amigo Luiz Pereira Bueno. Com este carro impressionou pela rapidez que andou em Interlagos. Luiz Antonio Greco chefe da equipe Willys, viu a performance, e convidou Pedro a correr pela equipe, e com salário! Ainda em 65 correu em dupla com Luiz Fernando Terra Smith, as “12 Horas de Interlagos” e os “Mil Kms de Interlagos”, com um 5º e 6º lugares respectivamente. Em dupla com Ludovino Perez com a Berlineta Interlagos foram 5º lugar nas “6 horas de Curitiba”.

No ano seguinte o primeiro pódio: 3º lugar nos “1000 Km de Brasília”. Naquele ano ainda, correu com Waldemar Costa em um Renault 1093 as “24 Horas de Interlagos” e foram 7º lugar. Em 67 correu na fórmula V que estava iniciando no Brasil e foi 3º lugar no RJ. Naquele ano surgiu a ideia de montar a primeira escola de pilotagem do Brasil.



Em sociedade com Wilsinho Fittipaldi, e com patrocínio da Bardahl, fundaram a Escola de Pilotagem Bardahl. A escola era administrada por sua esposa Gigi, e o principal instrutor era Pedro Victor. O sucesso foi grande, e fundaram até uma filial em Porto Alegre. A escola era de frente para o autódromo de Interlagos. Vários que viriam a ser pilotos de renome frequentaram a escola.

Em 68 com o fim da equipe Willys, foi correr na equipe CBE de Eugênio Martins e Chico Landi com as BMW. Nas “500 Milhas da Guanabara” conquista a primeira vitória em dupla com Jan Balder com a BMW Alpina 2000. Em 69 foi para a equipe Jolly-Gancia correr com as Alfas. Em dupla com Mário Olivetti foi 2º lugar nos “1000 Kms de Brasília”. Em 70 cria a sua própria equipe a “DeLamare competições” no mesmo endereço da escola de pilotos.



Foi até garoto propaganda da GM, em um anúncio do Opala. Com este carro foi tricampeão brasileiro da Div. 3, travando batalhas memoráveis com Luiz Pereira Bueno da equipe Hollywood


O Opala de Pedro Victor, preparado por Caito, primo de Marinho Camargo, virou referência. Em Tarumã conquistou tudo com o Opala: Pole, melhor volta e liderança de ponta a ponta. Recebe naquele ano o troféu “Victor” entregue por Colin Chapman da Lotus. Em 71 a GM presenteia Pedro Victor com um Opala 4100 azul. Com este Opala foi campeão da categoria Turismo, vencendo todas as provas.


Pedro Victor De Lamare na fórmula 2 Foto reprodução

De Lamare e o Avallone Foto reprodução

Ainda em 71 foi vice-campeão brasileiro de F-Ford. Em 72 correu na F2 com um March-722 Ford. No torneio SUDAM com um protótipo Avallone foi 3º lugar em Buenos Aires. Em 73 Pedro Victor contratou Ricardo Divila para preparar seu Opala, e Wilsinho Fittipaldi para elaborar o plano de corridas.


Em 74 foi para Londres, onde montou sua própria equipe na Europa para correr o campeonato de protótipos. Com um March 74 com motor BMW de 280 hp, um caminhão para transporte e patrocínio da SPI (Soc. Paulista de Investimentos). Com o March conquistou 2 quartos lugares. Trocou os motores BMW por Ford (mais baratos). Terminou vice-campeão europeu do Grupo 5 GT e Inglês, e na categoria Protótipo 2 lts.


Pedro Victor DeLamare e seu protótipo Avallone Foto reprodução

Correu em outras provas na Europa com relativo sucesso. Após a sua volta para o Brasil, parou de correr, e foi viver em Campos do Jordão, para cuidar de outra paixão: os cavalos de raça. Viveu também no Rio Grande do Sul e no Uruguai. Em 2001 voltou a morar em SP onde vive até hoje.


Por Leonarde Pavani – administrador da página “OS PRECURSORES” e colunista do site Conexão Saloma.

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

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