OPINIÃO: 2021 PROMETE SER O ANO DO MOTOR

por Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte

Aceleramos!

Com pandemia e tudo, o esporte a motor mostra sua força no Brasil e no mundo em 2021. Após seguidas temporadas com Lewis Hamilton e a Mercedes ganhando títulos com facilidade na Fórmula 1, a “categoria rainha” promete uma temporada emocionante com a Red Bull e Max Verstappen desafiando a hegemonia das Flechas de Prata.

Melhor ainda para o fã brasileiro: a categoria agora é o carro-chefe da programação esportiva da Band, voltando à aura de produto premium após anos e anos de maus-tratos em sua antiga casa.

Os índices de audiência dos dois primeiros GPs do ano indicaram: o brasileiro gosta de automobilismo –e muito.

Já foi a época do torcedor “brasilino”, acostumado a seguir o Mundial de F1 como uma batalha novelesca do bem contra o mal, do brasileiro contra o mundo.

Depois de a Netflix habilmente descortinar os bastidores do esporte em seu mais alto nível, o torcedor-consumidor quer sim análises técnicas e informações de bastidores envolvendo todas as equipes. Hoje há massa crítica para consumir uma cobertura de qualidade, e a Band tem acertado em cheio no produto que leva aos espectadores aos domingos.


Stock Car teve largada com grid de 32 carros em 2021
Foto Vanderley-Soares

O automobilismo nacional, por sua vez, é também favorecido por tal movimento.

Vide a abertura da Stock Car, no último domingo. Repaginada e sob nova, jovem e vibrante direção de Fernando Julianelli, a maior categoria do Brasil deu um verdadeiro show em termos de promoção de evento (ainda que sem público presente em Goiânia).

O número de carros no grid saltou de 24 para 32. Há três novas equipes, ingressaram pilotos de renome internacional como Felipe Massa e Tony Kanaan. O número de patrocinadores envolvidos no evento dobrou em apenas um ano. Houve transmissão ao vivo em TV aberta (Band), fechada (Sportv) e streaming liberado para o mundo todo. O acordo global de transmissão pela internet com a motorsport.tv gerou notícias sobre a Stock Car em diversos idiomas, inclusive russo, polonês e holandês!

O pódio com um enorme painel de LED destacando os pilotos, os troféus patrocinados por empresas de tecnologia e o “Fanpush” com nome e sobrenome de patrocinadores ilustram que a Stock Car entrou de vez na era digital.

Para usar um jargão boleiro: “está em outro patamar”.

Não por acaso, o reposicionamento de marca da categoria a rebatizou como Stock Car Pro Series.

O “Pró” realmente é merecido aos envolvidos na promoção do evento e certamente as inovações da nova Stock Car motivam todos os promotores de corridas no Brasil a aprimorar seus produtos e oferecer melhores entregas para torcedores, patrocinadores e competidores.

Por outro lado, escancara certos gargalos que precisam também ser endereçados.

Exemplo: o pano quadriculado baixou em Goiânia antes das 16h de domingo encerrando a etapa. Mas o resultado oficial da prova só foi proclamado pelas autoridades desportivas às 23h55. Foram mais de sete horas analisando protestos… E aquilo que o torcedor-consumidor viu acontecer na pista não está refletido na tabela de pontos.

Aqui não se pretende apontar o dedo para os comissários desportivos. Já assisti corrida dentro da torre de controle e constatei o quanto é frenético o trabalho da direção de prova e dos comissários para fazer valer o regulamento dentro da pista.

O automobilismo é o primeiro esporte a recorrer ao “VAR” e há julgamentos que de fato são complexos, pois demandam a análise de inúmeras câmeras onboard. Depois é necessário ouvir, pilotos, chefes de equipe, avaliar dados da telemetria, etc. E o processo todo deve ser feito com muito cuidado para evitar injustiças.

Mas uma categoria que se apresenta justificadamente como “Pro Series”, com uma fortíssima pegada digital e vasta gama de patrocinadores investindo alto, não pode ficar à mercê de mais de sete horas de análises para ter o resultado de sua corrida reformulado.

Aqui um caminho pode ser replicar a solução que os americanos usam na Nascar. Via de regra, o resultado de pista é imutável. Se posteriormente for identificada burla às regras, é aplicada punição pesada na etapa seguinte.

Sem discussão nem tapetão.


Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique especializada em RP no esporte a motor, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.