DIÁRIOS DO HUGO #9

APERTOS
Por Hugo Borghi

Numa outra ocasião, Cláudio e eu, estávamos visitando sua prima Beth em Viena, onde o pai dela, Aloísio Bittencourt, era o embaixador do Brasil. Tínhamos acabado de chegar do Marrocos, apanhado o Mercedes 250 CE em Roma, e seguido com ele para a Áustria. Na cor marrom bem escuro, forrado de couro cru, sem colunas, e mecânico, era um carro muito bonito, e também gostoso de guiar.

Depois de uns três dias lá, com a grana já curta e a mala do carro repleta de roupa suja das viagens anteriores, era hora de partir.
Tive então uma idéia! Como um associado do meu pai morava em Genebra, sugeri que fossemos para lá, fizéssemos um “vale” com M. Besuchet, nos hospedássemos num bom hotel, mandássemos nossas roupas para a lavanderia, enfim, colocássemos “ordem na casa”, antes de prosseguir para Paris onde estavam as nossas mães. Com esse plano perfeito em mente, partimos de Viena, sob uma neve fina que caia, no início de uma tarde gelada.

No começo da noite, a neve fina tinha se transformado numa nevasca! Os limpadores mal davam conta do recado. Já estávamos, nessa altura, lá pelo meio da Alemanha. Nisso, o motor cospe, engasga, e….. pára! Fui para o acostamento e estacionei. Silêncio sepulcral. A neve que ajuda a abafar qualquer ruído, não teve nenhum trabalho, pois não havia ruído algum. Não passava ninguém, e a estrada, a não ser pelos dois idiotas que tinham resolvido viajar à noite, durante uma tempestade neve, estava completamente deserta. Lembrei termos acabado de passar por um telefone de emergência. Lá fui eu sem saber falar alemão, buscar ajuda. Imediatamente atenderam do outro lado e fizeram um monte de perguntas, as quais eu obviamente, não entendi. Só me ocorreu repetir seguidamente: “Mercedes Benz kaput”, e desligar, confiando na eficiência germânica. Voltando para o carro, quase não o encontrei. Já estava coberto de neve, e mal se viam os pisca-alerta. Com a calefação a pleno, a bateria certamente não duraria muito. Pensamos: “Ou esses alemães aparecem logo, ou vamos morrer congelados”. Passados uns quinze minutos, encosta atrás de nós um limpa-neve-reboque. Salvos! Nosso salvador, por mímica, diz que vai nos rebocar, engancha o carro atrás da sua máquina, e segue lentamente para destino ignorado. Depois de alguns quilômetros sai da Autobhan, segue mais um pouco, e pára num posto de gasolina no meio do nada. Desengata a trapizonga e aponta para umas luzinhas mais adiante. Seguimos para lá, a pé, afundando na neve que não parava de cair. Era uma estalagem!

Abrimos a porta, e exaustos, quase nos estatelamos no chão da sala. O lugar estava cheio de gente bebendo e cantando alto em volta de uma mesa comunitária. Fez-se silêncio imediatamente, e todos nos olhavam espantados. Nos sentimos como marcianos chegando na terra. Em inglês, explicamos mais ou menos, nossa situação. Abriram logo espaço na mesa, nos deram uns canecões de cerveja, e quando souberam que éramos brasileiros, nos adotaram imediatamente! “Pelé, samba, carnaval, etc…”, e ficamos lá até de madrugada na maior farra. Dormimos num quartinho de mansarda em cima, e de manhã, fomos tratar do carro.

De dia, e sem estar nevando, tudo parecia muito melhor. O posto no qual o nosso salvador da véspera havia nos deixado, ficava a uns 200m duma revenda Mercedes! Camarada competente.
A revenda rebocou o carro até suas oficinas, e senhores de jaleco branco começaram a examinar o “paciente”. Acompanhávamos tudo por uma janela de vidro. Dali a pouco, aproxima-se um dos “doutores” e nos dá o diagnóstico: A “centralina” queimou, serão 300 dolares, e em dez minutos fica pronto. Se já estávamos quase sem dinheiro, ficamos praticamente duros! Fazer o que?
Seguimos sem escalas para Genebra. Lá, as coisas voltariam ao normal.
Chegamos, e fomos para um hotel na beira do lago. Mandamos as roupas para a lavanderia e pedimos uma farta refeição no quarto.

De banho tomado, ligo calmamente para o M. Besuchet: “O que? M. Besuchet não está? Está na África num safári? Só volta no mês que vem?” Desligo apavorado! Suspendemos imediatamente o almoço, mandamos devolver as roupas sujas da lavanderia, e fechamos a conta. Agora, mal sobrava para a gasolina até Paris. Contornamos o lago, entramos na França, e tocamos o páu para a capital. Alimentados por barrinhas de chocolate, entramos em Paris exatamente à meia noite.
Chovia fininho quando cruzamos a Porte D’Orleans e o rádio Becker, entoou a Marselhesa! Não sei se pela beleza mágica do momento, ou pelo o que havíamos passado, ou por tudo junto, choramos…

Pouco depois, a minha vida mudou completamente.
Praticamente todos os nossos negócios e investimentos estavam concentrados em Portugal. Com a Revolução dos Cravos no dia 25 de abril de 1974…

…naquele país, as contas foram bloqueadas e os empreendimentos imobiliários e turísticos, como os nossos, estatizados. A única coisa que pode ser salva, foi o Mercedes que conseguimos passar para a Espanha minutos antes do fechamento da fronteira, mais nada. Estabeleceu-se então o caos em Portugal. Sem competência para gerir muitos dos negócios até então privados, o governo conseguiu quebrar diversas empresas.

Daí para a frente, fora uns Fusquinha usados, um Fiat 147 bem velhinho comprado em Petrópolis, seguidos de uma Caravan, duas Quantum, e de outros carros bem “caretas”, nada de muito emocionante aconteceu na minha “vida automobilística”, por 4 décadas, até que…
Hugo Borghi

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

22 comentários em “DIÁRIOS DO HUGO #9

  • 2 de abril de 2009 em 08:01
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    Putz ! Eu estava nesta !
    Baixei em Lisboa no dia seguinte, maior cáos, nada funcionava, e tive que ir buscar minhas malas no porão do avião…

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  • 2 de abril de 2009 em 08:01
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    Putz ! Eu estava nesta !
    Baixei em Lisboa no dia seguinte, maior cáos, nada funcionava, e tive que ir buscar minhas malas no porão do avião…

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  • 2 de abril de 2009 em 08:53
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    Pô, que suspense!
    Continua logo, Hugo.
    Brincadeirinha!
    Adoro esses relatos.
    Fico ansioso esperando o próximo capítulo.
    Saudações!
    Edmundo Gonzaga

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  • 2 de abril de 2009 em 08:53
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    Pô, que suspense!
    Continua logo, Hugo.
    Brincadeirinha!
    Adoro esses relatos.
    Fico ansioso esperando o próximo capítulo.
    Saudações!
    Edmundo Gonzaga

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  • 2 de abril de 2009 em 11:04
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    Também paguei esse mico. Fui para a europa em 75, mas evitei Portugal, mesmo tendo cidadania portuguesa e parentes próximos. Fiquei uns meses andando de carro e avião pela europa e acabei em Londres onde aluguei um apartamento em Chelsea, Sloane Avenue (hahahah, na época dava, não é só o Hugo que pelo jeito pobreou).
    Na volta era um vôo direto da Varig Londres-Rio, um 707. Estava vazio e do meu lado sentou uma inglesa com um bebe de quase dois anos. Ela vinha encontrar o pai do menino que morava no Espírito Santo e estava muito nervosa, pois percebi que a coisa não era muito católica entre o casal. Acho que o brazuca tinha se mandado e ela vinha atrás do fujão, hahahaha.
    Dei meu lugar para eles para que o garoto pudesse ser colocado deitado e dormisse. Tinha tanto lugar que arrumei uma fileira para deitar também.
    No meio do caminho vem o comandante e fala que iria parar em Lisboa por razões humanitárias, tinha tudo para dar merda e acabou dando.
    Quando pousamos, percebi que a coisa ia demorar, fomos orientados a não nos preocupar, mas tínhamos que deixar o avião. Sugeriram que quem quisesse se arriscar poderia fazer um tour por Lisboa, porque o avião iria ficar umas seis horas parado, o que realmente aconteceu, Varig era Varig, tudo era informado e cumprido. Não dava para ficar no aeroporto, tinha soldado com metrancas embaladas até dentro do banheiro, um saco.
    Aluguei um taxi Mercedes e fui passear. Não fui na casa de meu tio e de nenhum parente, nessas horas tem que se envolver o mínimo e meu tio era Salazarista roxo.
    Fiquei de bobeira dando voltas e vendo a cada metro um soldadinho de metralhadora, sacos de areia, essas viadagens que a milicada monta e não serve para nada, só impressiona civis e atrapalha. Comi num lugar que o motorista arrumou, metade da cidade estava fechada. Foi muito bom, mas não conseguiria voltar lá. Era comida caseira, nada desses pratos portugueses tradiconais.
    Voltamos e entramos no avião no horário. Aí veio a supresa, começou entrar gente sem parar a ponto da tripulação ficar sem cadeiras, tiveram que atravessar o Atlântico de pé, umas dez horas sem poder sequer dar uma sentada para descansar. E ainda ter que atender a multidão lusitana completamente ignorante, so comissários foram sensacionais, nenhm reclamou, uma delas acabou desmaiando de exaustão na aproximação, simplesmente desabou no chão e ficou, era o único lugar que cabia.
    A maioria dos portugas não tinha a menor idéia do que era um avião, alguns tinha entrado na modernidade naquele dia, andaram de automovel e trem pela primeira vez na vida e iam voar. Ainda bem, pelo menos nem medo tinham, mas ficavam discutindo a distribuição dos lugares, era até divertido ver a portuguesada tentar juntar as famílias, uma balbúrdia que durou umas duas horas de vôo, a maioria nem cinto colocou. Nós que vínhamos de Londres entramos primeiro, mas fomos orientados a ficar em nossos lugares originais e não sair de maneira alguma enquanto o avião estivesse no solo e com a porta aberta. Voltei para o lado da inglesa e seu menino no colo.
    No meio do caminho já estava escuro e o menino acordou cagado e com fome coitado. Dei meu lugar para que a mãe o trocasse e peguei a fralda para jogar fora no banheiro, o que foi uma viagem, a portuguesada estava mais relaxada e fazia rodinhas no corredor. As aeromoças já tinham desistido de qualquer tentativa de organização dos comícios, a maioria ficava discutindo a revolução e pasmem, tinha os favor e os contra, vai entender.
    Chegou a hora do menino comer, limpo já estava, mas a mãe nem conseguia explicar o que o garoto precisava, ele era pequeno, tomava mamadeira. Resolvi assumir a situação, peguei o garoto no colo e fui até a galley resolver a coisa. A mãe ficou meio esquisita, mas acho que depois pensou que eu não poderia ir a lugar algum com o menino. Na galley a aeromoça estava ficando doida, parecia lanchonete em jogo de futebol, tinha portuga que queria alheiras, bacalhau, pão de miga, essas coisas. Acho que o avião não tinha sido abastecido de comida, mas não estava vazio, tinham as sobras da perna Londres-Lisboa e as aeromoças foram racionando a comida e bebida, mas ninguém passou fome. Os que tinha embarcado em Londres nem fizeram questão, já tinham comido antes.
    Eu tinha a mamadeira que a mãe tinha me dado e não tive dúvida, entrei na galley peguei leite, abri tudo e achei um sachê de achocolatado, a aeromoça viu que ou brigava ou ajudava e resolveu esquentar a mamadeira, nem sei o que ela usou, mas ela experimentou jogando um pouco em cima da mão e percebi que ela entendia mais que eu dessas coisas. Dei a mamadeira e voltamos, mas o “marditinho” não quis voltar para a mãe, queria ficar no colo e passeando, ele era o único que tinha dormido, cagado e comido, estava com a pilha cheia. No final, tive que atravessar o Atlântico com uma criança no colo, mas não reclamo não, o garoto era simpático e ficava rindo o tempo todo, as véias portuguesas de bigode adotaram ele também, ele cagou e tomou mamadeira mais duas vezes e as véias ajudaram. Ficaram maravilhadas com as fraldas descartáveis que ele usava, nunca tinham visto e eu também nunca tinha visto sequer uma fralda de pano, acho que as véias guardaram para usar depois, hahahaha.
    Nessas horas tem que ter espírito esportivo e entrar na várzea, o avião parecia uma farofada na Praia Grande, só faltou areia e mar. Até que foi divertido.

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  • 2 de abril de 2009 em 11:04
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    Também paguei esse mico. Fui para a europa em 75, mas evitei Portugal, mesmo tendo cidadania portuguesa e parentes próximos. Fiquei uns meses andando de carro e avião pela europa e acabei em Londres onde aluguei um apartamento em Chelsea, Sloane Avenue (hahahah, na época dava, não é só o Hugo que pelo jeito pobreou).
    Na volta era um vôo direto da Varig Londres-Rio, um 707. Estava vazio e do meu lado sentou uma inglesa com um bebe de quase dois anos. Ela vinha encontrar o pai do menino que morava no Espírito Santo e estava muito nervosa, pois percebi que a coisa não era muito católica entre o casal. Acho que o brazuca tinha se mandado e ela vinha atrás do fujão, hahahaha.
    Dei meu lugar para eles para que o garoto pudesse ser colocado deitado e dormisse. Tinha tanto lugar que arrumei uma fileira para deitar também.
    No meio do caminho vem o comandante e fala que iria parar em Lisboa por razões humanitárias, tinha tudo para dar merda e acabou dando.
    Quando pousamos, percebi que a coisa ia demorar, fomos orientados a não nos preocupar, mas tínhamos que deixar o avião. Sugeriram que quem quisesse se arriscar poderia fazer um tour por Lisboa, porque o avião iria ficar umas seis horas parado, o que realmente aconteceu, Varig era Varig, tudo era informado e cumprido. Não dava para ficar no aeroporto, tinha soldado com metrancas embaladas até dentro do banheiro, um saco.
    Aluguei um taxi Mercedes e fui passear. Não fui na casa de meu tio e de nenhum parente, nessas horas tem que se envolver o mínimo e meu tio era Salazarista roxo.
    Fiquei de bobeira dando voltas e vendo a cada metro um soldadinho de metralhadora, sacos de areia, essas viadagens que a milicada monta e não serve para nada, só impressiona civis e atrapalha. Comi num lugar que o motorista arrumou, metade da cidade estava fechada. Foi muito bom, mas não conseguiria voltar lá. Era comida caseira, nada desses pratos portugueses tradiconais.
    Voltamos e entramos no avião no horário. Aí veio a supresa, começou entrar gente sem parar a ponto da tripulação ficar sem cadeiras, tiveram que atravessar o Atlântico de pé, umas dez horas sem poder sequer dar uma sentada para descansar. E ainda ter que atender a multidão lusitana completamente ignorante, so comissários foram sensacionais, nenhm reclamou, uma delas acabou desmaiando de exaustão na aproximação, simplesmente desabou no chão e ficou, era o único lugar que cabia.
    A maioria dos portugas não tinha a menor idéia do que era um avião, alguns tinha entrado na modernidade naquele dia, andaram de automovel e trem pela primeira vez na vida e iam voar. Ainda bem, pelo menos nem medo tinham, mas ficavam discutindo a distribuição dos lugares, era até divertido ver a portuguesada tentar juntar as famílias, uma balbúrdia que durou umas duas horas de vôo, a maioria nem cinto colocou. Nós que vínhamos de Londres entramos primeiro, mas fomos orientados a ficar em nossos lugares originais e não sair de maneira alguma enquanto o avião estivesse no solo e com a porta aberta. Voltei para o lado da inglesa e seu menino no colo.
    No meio do caminho já estava escuro e o menino acordou cagado e com fome coitado. Dei meu lugar para que a mãe o trocasse e peguei a fralda para jogar fora no banheiro, o que foi uma viagem, a portuguesada estava mais relaxada e fazia rodinhas no corredor. As aeromoças já tinham desistido de qualquer tentativa de organização dos comícios, a maioria ficava discutindo a revolução e pasmem, tinha os favor e os contra, vai entender.
    Chegou a hora do menino comer, limpo já estava, mas a mãe nem conseguia explicar o que o garoto precisava, ele era pequeno, tomava mamadeira. Resolvi assumir a situação, peguei o garoto no colo e fui até a galley resolver a coisa. A mãe ficou meio esquisita, mas acho que depois pensou que eu não poderia ir a lugar algum com o menino. Na galley a aeromoça estava ficando doida, parecia lanchonete em jogo de futebol, tinha portuga que queria alheiras, bacalhau, pão de miga, essas coisas. Acho que o avião não tinha sido abastecido de comida, mas não estava vazio, tinham as sobras da perna Londres-Lisboa e as aeromoças foram racionando a comida e bebida, mas ninguém passou fome. Os que tinha embarcado em Londres nem fizeram questão, já tinham comido antes.
    Eu tinha a mamadeira que a mãe tinha me dado e não tive dúvida, entrei na galley peguei leite, abri tudo e achei um sachê de achocolatado, a aeromoça viu que ou brigava ou ajudava e resolveu esquentar a mamadeira, nem sei o que ela usou, mas ela experimentou jogando um pouco em cima da mão e percebi que ela entendia mais que eu dessas coisas. Dei a mamadeira e voltamos, mas o “marditinho” não quis voltar para a mãe, queria ficar no colo e passeando, ele era o único que tinha dormido, cagado e comido, estava com a pilha cheia. No final, tive que atravessar o Atlântico com uma criança no colo, mas não reclamo não, o garoto era simpático e ficava rindo o tempo todo, as véias portuguesas de bigode adotaram ele também, ele cagou e tomou mamadeira mais duas vezes e as véias ajudaram. Ficaram maravilhadas com as fraldas descartáveis que ele usava, nunca tinham visto e eu também nunca tinha visto sequer uma fralda de pano, acho que as véias guardaram para usar depois, hahahaha.
    Nessas horas tem que ter espírito esportivo e entrar na várzea, o avião parecia uma farofada na Praia Grande, só faltou areia e mar. Até que foi divertido.

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  • 2 de abril de 2009 em 23:51
    Permalink

    olhando em perspectiva realmente soa engraçado né Zulino.
    Dessa eu escapei.
    Mas conheci um punhado de pessoas que tiveram problemas terríveis com a tal revolução vindo pra cá mais ou menos nessas condições descritas aí.
    Que panca hein Hugo. Irra !
    O lado bom (se é que tem lado bom), olha só quanta história vc está contando pra gente.
    De mais a mais, de um jeito ou outro, vc taí, firme e forte e SOBREVIVENTE.
    Isso não tem revolução de cravos ou não, que pague.

    Pena que estou com uma baita gripe e não vou aportar no Templo neste fds.

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  • 2 de abril de 2009 em 23:51
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    olhando em perspectiva realmente soa engraçado né Zulino.
    Dessa eu escapei.
    Mas conheci um punhado de pessoas que tiveram problemas terríveis com a tal revolução vindo pra cá mais ou menos nessas condições descritas aí.
    Que panca hein Hugo. Irra !
    O lado bom (se é que tem lado bom), olha só quanta história vc está contando pra gente.
    De mais a mais, de um jeito ou outro, vc taí, firme e forte e SOBREVIVENTE.
    Isso não tem revolução de cravos ou não, que pague.

    Pena que estou com uma baita gripe e não vou aportar no Templo neste fds.

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  • 2 de abril de 2009 em 23:52
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    Beleza de relatos . Riqueza de detalhes . Parabéns pela empreitada e obrigado por dividir com a gente .
    Abraço e Sucesso . Ricardo Conde – São Lourenço – MG

    Resposta
  • 2 de abril de 2009 em 23:52
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    Beleza de relatos . Riqueza de detalhes . Parabéns pela empreitada e obrigado por dividir com a gente .
    Abraço e Sucesso . Ricardo Conde – São Lourenço – MG

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  • 3 de abril de 2009 em 01:29
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    Óia o Zullino aí gente!Legal essa história, papi postiço;não sei se eu teria toda essa paciência,mas algo me diz que a beleza da mãe valia o “sacrifício”,hahaha.
    Hugo,adivinha ? 280 CE ,no meu caso.
    Em 67 meus pais me “exilaram” para que eu tirasse umas idéias da cabeça,e o plano era um exílio de um ano.A coisa se revelou tão boa que eu,por conta própria,prolonguei por oito.
    Em 75,já estava cuidando da minha mudança para os EUA,sem passar pelo Brasil,depois de 8 anos fora de casa.Meu pai já não queria mais o filho longe,e fazia de tudo para me trazer de volta.Um dia recebo uma carta(ainda se usava)dele,anunciando que tinha comprado, para mim, uma 280CE 1973,ex alguma embaixada.O velho era bem relacionado no corpo diplomático em Brasília.A importação era proibida,claro,e meu pai inocentemente achava que estava assim me tentando a voltar.Esqueceu completamente que,onde eu estava,até os taxis eram MB.Respondí dizendo que evidentemente isso não me faria mudar de idéia.Antes porém que minha resposta chegasse aqui,começou a famigerada guerra civil,com a qual conviví durante alguns meses,os correios entraram em colapso,meu I20( formulário p/ visto de estudante) se perdeu por esse mundão,e eu fugí de volta pra cá em OUT/75.
    A CE estava na garagem,claro.
    Cheguei,prestei vestibular para não ficar sem fazer nada enquanto recomeçava os tramites para os EUA.Mas depois de muita pressão,choros,chantagens maternas(hehe),e outras cositas mas,acabei iniciando curso de Eng. Mec. Automobilística na FEI.Peguei um Corcelzinho I branco zerinho para ir à faculdade.Algum tempo depois,mandei o branquinho para a 1a. revisão e resolví ir à faculdade naquele dia de CE.A caminho de S.Bernardo,por volta de meio dia,um sol de rachar,me aproximei de um semáforo no Sacomã,para pegar a Rod. Anchieta.Bem antes do cruzamento,o sinal mudou para vermelho,soltei a marcha para me aproximar e parar,ar cond. ligadão à toda e mexendo no dial do rádio,distraído.Quando terminei de sintonizar,levantei a cabeça para ver o sinal,olho ao lado,e constato que estou bem em frente a um ponto de onibus,apinhado de gente,debaixo daquele sol de rachar,olhando para aquele moleque de 20 anos,careca recém admitido em faculdade,naquele carro,todo pimpão.Os olhares não eram de raiva,revolta ou inveja doentia,mas sentí que havia uma pergunta estampada em cada um daqueles rostos:porque esse moleque e não eu,meu Deus?Fui me encolhendo naquele banco de couro,o verde demorou tanto que me sentí do tamanho de um inseto,até conseguir sair dalí.
    Mal conseguí assistir às aulas e quando cheguei em casa à noite decretei: o carro será vendido amanhã!!Meu pai pediu explicação para a decisão,e tudo que conseguí dizer foi que não se deveria andar numa MB nova num país como o Brasil,não era justo.
    O vendedor da Dacon não acreditou no dia seguinte quando viu aquele senhor e seu filho negociarem a troca de uma CE quase nova por 2 Passat TS novos e mais uma bela grana.O entusiasmo dele em fazer aquele negócio era indisfarçável.
    Nunca mais deixei meu pai comprar outra MB, até que fiz uma viagem mais prolongada em 95 e ele aproveitou a deixa e comprou uma C280, que guardo até hoje,pois foi o ultimo carro novo que ele comprou,até falecer 2 anos atrás.
    SAUDADES do meu velho…

    Resposta
  • 3 de abril de 2009 em 01:29
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    Óia o Zullino aí gente!Legal essa história, papi postiço;não sei se eu teria toda essa paciência,mas algo me diz que a beleza da mãe valia o “sacrifício”,hahaha.
    Hugo,adivinha ? 280 CE ,no meu caso.
    Em 67 meus pais me “exilaram” para que eu tirasse umas idéias da cabeça,e o plano era um exílio de um ano.A coisa se revelou tão boa que eu,por conta própria,prolonguei por oito.
    Em 75,já estava cuidando da minha mudança para os EUA,sem passar pelo Brasil,depois de 8 anos fora de casa.Meu pai já não queria mais o filho longe,e fazia de tudo para me trazer de volta.Um dia recebo uma carta(ainda se usava)dele,anunciando que tinha comprado, para mim, uma 280CE 1973,ex alguma embaixada.O velho era bem relacionado no corpo diplomático em Brasília.A importação era proibida,claro,e meu pai inocentemente achava que estava assim me tentando a voltar.Esqueceu completamente que,onde eu estava,até os taxis eram MB.Respondí dizendo que evidentemente isso não me faria mudar de idéia.Antes porém que minha resposta chegasse aqui,começou a famigerada guerra civil,com a qual conviví durante alguns meses,os correios entraram em colapso,meu I20( formulário p/ visto de estudante) se perdeu por esse mundão,e eu fugí de volta pra cá em OUT/75.
    A CE estava na garagem,claro.
    Cheguei,prestei vestibular para não ficar sem fazer nada enquanto recomeçava os tramites para os EUA.Mas depois de muita pressão,choros,chantagens maternas(hehe),e outras cositas mas,acabei iniciando curso de Eng. Mec. Automobilística na FEI.Peguei um Corcelzinho I branco zerinho para ir à faculdade.Algum tempo depois,mandei o branquinho para a 1a. revisão e resolví ir à faculdade naquele dia de CE.A caminho de S.Bernardo,por volta de meio dia,um sol de rachar,me aproximei de um semáforo no Sacomã,para pegar a Rod. Anchieta.Bem antes do cruzamento,o sinal mudou para vermelho,soltei a marcha para me aproximar e parar,ar cond. ligadão à toda e mexendo no dial do rádio,distraído.Quando terminei de sintonizar,levantei a cabeça para ver o sinal,olho ao lado,e constato que estou bem em frente a um ponto de onibus,apinhado de gente,debaixo daquele sol de rachar,olhando para aquele moleque de 20 anos,careca recém admitido em faculdade,naquele carro,todo pimpão.Os olhares não eram de raiva,revolta ou inveja doentia,mas sentí que havia uma pergunta estampada em cada um daqueles rostos:porque esse moleque e não eu,meu Deus?Fui me encolhendo naquele banco de couro,o verde demorou tanto que me sentí do tamanho de um inseto,até conseguir sair dalí.
    Mal conseguí assistir às aulas e quando cheguei em casa à noite decretei: o carro será vendido amanhã!!Meu pai pediu explicação para a decisão,e tudo que conseguí dizer foi que não se deveria andar numa MB nova num país como o Brasil,não era justo.
    O vendedor da Dacon não acreditou no dia seguinte quando viu aquele senhor e seu filho negociarem a troca de uma CE quase nova por 2 Passat TS novos e mais uma bela grana.O entusiasmo dele em fazer aquele negócio era indisfarçável.
    Nunca mais deixei meu pai comprar outra MB, até que fiz uma viagem mais prolongada em 95 e ele aproveitou a deixa e comprou uma C280, que guardo até hoje,pois foi o ultimo carro novo que ele comprou,até falecer 2 anos atrás.
    SAUDADES do meu velho…

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  • 3 de abril de 2009 em 14:44
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    BELAIR E AMIGOS:
    Tô gostando de ver (e de ler) “Sr.” Belair!
    Pouco a pouco as estórias vão surgindo! Vc. tem toda a razão quanto ao constrangimento em desfilar com um carrão perante as desigualdades no Brasil. Apesar da pobreza ser um fator universal, por aqui, é quase vergonhoso ser bem sucedido. Enquanto nos EUA é “bacana” ter e mostrar, aqui é ao contrário.
    Se vc. perguntar para um milionário banqueiro nacional, cujo banco cresce outro igual por ano, como vão as coisas, ele te dira: “Mais ou menos, tô meio apertado, vc. sabe, tantas dificuldades…” Passa um camarada de Porsche, e logo alguém diz: “Esse cara deve ter roubado um bocado…” Por que será? Complexo de inferioridade? Nossa educação católica, onde “os pobres herdarão o reino dos céus?” Receio de ser confundido com algum político? Medo de sequestro?
    Sei lá… mas que é estranho (e hipócrita), lá isso é… Gostaria de ouvir a opinião de vcs.

    Resposta
  • 3 de abril de 2009 em 14:44
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    BELAIR E AMIGOS:
    Tô gostando de ver (e de ler) “Sr.” Belair!
    Pouco a pouco as estórias vão surgindo! Vc. tem toda a razão quanto ao constrangimento em desfilar com um carrão perante as desigualdades no Brasil. Apesar da pobreza ser um fator universal, por aqui, é quase vergonhoso ser bem sucedido. Enquanto nos EUA é “bacana” ter e mostrar, aqui é ao contrário.
    Se vc. perguntar para um milionário banqueiro nacional, cujo banco cresce outro igual por ano, como vão as coisas, ele te dira: “Mais ou menos, tô meio apertado, vc. sabe, tantas dificuldades…” Passa um camarada de Porsche, e logo alguém diz: “Esse cara deve ter roubado um bocado…” Por que será? Complexo de inferioridade? Nossa educação católica, onde “os pobres herdarão o reino dos céus?” Receio de ser confundido com algum político? Medo de sequestro?
    Sei lá… mas que é estranho (e hipócrita), lá isso é… Gostaria de ouvir a opinião de vcs.

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  • 3 de abril de 2009 em 18:59
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    impressionante a similaridade filosófica que nos une.
    Infelizmente aqui é a cultura do “esconde tudo (tudo mesmo, especialmente da receita) pro vizinho não bater na sua porta pra pedir alguma coisa” POr aqui é a cultura dos perdedores. Se vc luta e consegue alguma (ou muita) coisa, ou roubou ou traficou, ou se ajeitou com o governo. São raros os que ficam entusiasmados com o sucesso de alguém. É uma inveja doentia, sem duvida fruto desse massacre católico que premia, SÓ DEPOIS que o caboclo bater com as dez. Aí voce será recompensado pelo sofrimento eternamente.
    Há tanta mesquinhez e egoismo nesse raciocício que simplesmente não suporto conversar com gente que crê nisso. Fico genuinamente feliz quando algum amigo próximo ou nem tanto, que tem sucesso na sua área por uma razão simplista: prova que é possível ser um vencedor. bsta trabalhar , ter empenho, capacidade e uma dose de sorte.
    Simples né pessoal?
    Só que parece pecado vencer nesta baiúca sem rumo.

    Eita nóis, por isso penso que seremos sempre um paizeco bem banana’s republic.
    Vejam os exemplos.
    De ajudante de tratador de zoológico a empresario comprador por 47 milhas a vista!, de uma fazenda cartão de visitas em Valparaíso – SP. Registradinha no cartório de imóveis, documento público pra quem quizer ver. Uma certidão atualizada custa $ 30,27. Quem é? é o filho do poderoso de plantão que se diz socialista.
    47 miilhas? PQP… quero ser ajudante do zoológico também pô !
    Com esse tipo de exemplo fica dificil poder mostrar uma MB, Ferrari, Porsche, Lambo ou que tais, compradas com rendimentos honestos.
    Ninguém vai acreditar, infelizmente…

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  • 3 de abril de 2009 em 18:59
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    impressionante a similaridade filosófica que nos une.
    Infelizmente aqui é a cultura do “esconde tudo (tudo mesmo, especialmente da receita) pro vizinho não bater na sua porta pra pedir alguma coisa” POr aqui é a cultura dos perdedores. Se vc luta e consegue alguma (ou muita) coisa, ou roubou ou traficou, ou se ajeitou com o governo. São raros os que ficam entusiasmados com o sucesso de alguém. É uma inveja doentia, sem duvida fruto desse massacre católico que premia, SÓ DEPOIS que o caboclo bater com as dez. Aí voce será recompensado pelo sofrimento eternamente.
    Há tanta mesquinhez e egoismo nesse raciocício que simplesmente não suporto conversar com gente que crê nisso. Fico genuinamente feliz quando algum amigo próximo ou nem tanto, que tem sucesso na sua área por uma razão simplista: prova que é possível ser um vencedor. bsta trabalhar , ter empenho, capacidade e uma dose de sorte.
    Simples né pessoal?
    Só que parece pecado vencer nesta baiúca sem rumo.

    Eita nóis, por isso penso que seremos sempre um paizeco bem banana’s republic.
    Vejam os exemplos.
    De ajudante de tratador de zoológico a empresario comprador por 47 milhas a vista!, de uma fazenda cartão de visitas em Valparaíso – SP. Registradinha no cartório de imóveis, documento público pra quem quizer ver. Uma certidão atualizada custa $ 30,27. Quem é? é o filho do poderoso de plantão que se diz socialista.
    47 miilhas? PQP… quero ser ajudante do zoológico também pô !
    Com esse tipo de exemplo fica dificil poder mostrar uma MB, Ferrari, Porsche, Lambo ou que tais, compradas com rendimentos honestos.
    Ninguém vai acreditar, infelizmente…

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  • 3 de abril de 2009 em 22:07
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    meu padrinho de casamento comprou uma 911 1992 logo quee abriu as porteiras e um dia proseando me comentou que nao se pode ter medo de ser feliz
    recem casado em 1993 comprei meu primeiro auto importado uma fiat 130 v6 couro azul etc etc ja meia erada mas muito nova,dai ate hoje ja passaram mais de 50 dif maquinas,sinceramente nunca preocupei com sequestro,politica pois isto nao tem solucao
    fui criado na baixada fluminense em sao joa de meriti na epoca do chagas freitas
    portanto nao era muito diferente da era do socio da telemar
    sds
    jose carlos sete lagoas

    Resposta
  • 3 de abril de 2009 em 22:07
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    meu padrinho de casamento comprou uma 911 1992 logo quee abriu as porteiras e um dia proseando me comentou que nao se pode ter medo de ser feliz
    recem casado em 1993 comprei meu primeiro auto importado uma fiat 130 v6 couro azul etc etc ja meia erada mas muito nova,dai ate hoje ja passaram mais de 50 dif maquinas,sinceramente nunca preocupei com sequestro,politica pois isto nao tem solucao
    fui criado na baixada fluminense em sao joa de meriti na epoca do chagas freitas
    portanto nao era muito diferente da era do socio da telemar
    sds
    jose carlos sete lagoas

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  • 4 de abril de 2009 em 00:50
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    Nesse ponto estou com o José Carlos, nunca me preocupei com ter carro legal e andar com o mesmo. O que tiver que acontecer acontece. Ando de carro sem capota sem medo algum.

    Belair,
    A mãe não era lá essas coisas, inglesa e enrolada, mas não dava para fazer outra coisa. Pelo menos serviu de treino para anos depois criar os filhos.

    Resposta
  • 4 de abril de 2009 em 00:50
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    Nesse ponto estou com o José Carlos, nunca me preocupei com ter carro legal e andar com o mesmo. O que tiver que acontecer acontece. Ando de carro sem capota sem medo algum.

    Belair,
    A mãe não era lá essas coisas, inglesa e enrolada, mas não dava para fazer outra coisa. Pelo menos serviu de treino para anos depois criar os filhos.

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