FORD GT 40 – VOLTA RÁPIDA COM O FORDÃO DO COLÉGIO ARTE E INSTRUÇÃO

Temos aqui um texto bárbaro que faz parte do álbum de Sidney Cardoso com Fernando Calmon, que sentou-se a seu lado e foi conferir o Ford GT 40 na pista do saudoso autódromo de Jacarepaguá.

“Nesta época, ele estava amaciando. Está na foto, ela permite visualizar o que ele fala quando se refere ao fato do carro abaixar a traseira e levantar a frente como se fosse dar um salto, quando se pisa forte no acelerador, embora ele narrou este fato na saída da curva Sul e aqui o carro está na reta, na saída da curva Norte. Acontece que não tenho foto dele lá”.
Um forte abraço pra todos
Sidney Cardoso

Segue a reportagem na íntegra:

Ford GT 40 Pronto Para as Grandes Provas Deste Ano
(AMACIANDO O CARRO)


É uma sensação diferente andar num Ford GT-40, carro igual ao que venceu duas vezes seguidas as “24 Horas de Le Mans”. E’ impressionante sentir a força do motor de 420 cavalos impulsioná-lo a mais de 200 quilômetros por hora. Nas saídas de curvas o torque se manifesta logo aos 4.500 giros, jogando brutalmente a cabeça do piloto de encontro ao encosto do assento. É necessária precisão cronométrica nas passagens de marchas e o volante tem que manter toda a atenção concentrada na condução do veículo.

O Ford GT-40 vermelho, de número 20, pertence à Equipe Colégio Arte e Instrução, cujo primeiro piloto é Sidney Cardoso e seu companheiro é Heitor Peixoto de Castro Palhares. Esse carro foi o reserva da equipe de John Wyer no ano passado, quando John venceu Le Mans com a dupla Jack Ickx/Jack Oliver. Da Europa veio diretamente para os Cardoso que levantaram a primeira prova de que participaram, uma das etapas do campeonato carioca de 69. Depois, correu nos 1.000 quilômetros da GB e quebrou o motor, que só agora ficou pronto.

Sidney Cardoso e sua equipe iniciaram o amaciamento da máquina. Ao ser ligado o motor é preciso esquentá-lo devagar para que a pressão do óleo não ultrapasse 100 libras e estoure o filtro. Aos 35 graus, já se pode sair devagar com o GT e colocá-lo na posição de largada.

Aos 50, sai-se em primeira,deixa-se os giros subirem até os 3500, joga-se a segunda marcha e assim sucessivamente, até a quinta. Após a primeira volta, a máquina já aqueceu mais e os giros começam a ir até os 4000, alcançando o carro umas 70 milhas por hora.

Depois de mais umas voltas, o motor vai ao regime de 5.000 giros, com que o carro chegava no final da reta a 120 milhas por hora. A faixa útil de giros vai até 7000, dando umas 175 milhas horárias ou 280 quilômetros por hora.
A 198 quilômetros por hora, correspondentes aproximadamente a 5000 giros, o motor assobia alto.

No fim da reta, vem a curva Sul, onde se reduz de quinta para terceira marcha. A freada é progressiva, aplicando-se algum esforço no pedal. A curva passa rápida e logo após sua tangente, a aceleração torna-se forte e a traseira do GT parece que se abaixa, com o salto que ele dá para frente. Até a curva da Entrada do Miolo, joga-se a quarta marcha e logo vem a reduzida para segunda. Saindo da longa curva, vem uma semi-reta onde se usa a terceira para, na freada para a Ferradura, voltar à segunda e daí para a terceira na saída, indo até o S. onde reduz-se para primeira.

Após o S, uma semi-reta e até à “Árvorezinha” feita em terceira, seguida da curva do Box, feita em quarta, jogando-se a quinta bem atrás dos boxes. Na freada para a curva Norte, de quinta para segunda. Saindo dela, começa-se tudo de novo. É uma sensação de domínio sobre uma máquina que só pode ser igualada com outro Ford GT 40.
[Fernando Calmon]


Obs. Ele andou ao meu lado, no banco do carona com cinto de segurança, para fazer a reportagem, quando o GT estava amaciando.
[reprodução/arq. pessoal SC]

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.