Hot Dodge…o poder dos V8 by Jovino!

Material de primeira do brother Jovino de Brasília. Um pouco do que foi a Hot Dodge em Brasília…

Carlos Marques no Grid de 82

A categoria foi criada em 1981, mas já no final de 1980, a TFL, Turismo Força Livre (que alinhavam opalas Stocks, Fiats, Fuscas, etc), já abrigavam alguns Dodges e o nº de participantes foi crescendo e então a federação local resolveu criar o regulamento técnico e desportivo a partir de 1981, com largada independente da TFL.

Mário Assunção contornando a curva do Placar

No começo, os carros muito pesados e com regulamento praticamente original, apenas rebaixamento da suspensão, amortecedores trabalhados com a substituição do óleo por outro mais grosso, trabalhos na carburação original, aumento da taxa de compressão e rodas com pneus radiais de rua, mas que quase todos acabavam por lixá-los e deixando-os quase Slicks, apesar de serem proibidos.

Lula e Pepe começando o mergulho em direção a bruxa

As voltas eram bem altas acima de 2m50seg e a corrida era realizada no circuito interno. Mas com o decorrer do tempo, foi-se desenvolvendo, principalmente, acerto dos carburadores que eram a álcool e assim os tempos foram baixando e o nº de carros aumentando chegando acima de 20 na formação do grid.
Sem dúvida alguma, a Hot Dodge era quem levava um grande número de público ao autódromo, principalmente em função das derrapagens, saídas de curvas e os acidentes, pois quando se perdia o controle da bagaça, era quase impossível segurá-la e o público vibrava.

Carlos Marques dando uma escapada na curva da vitória – Reparem a quantidade de público nas arquibancadas

Em algumas provas em função do nº dos TFLs, que diminuíam a cada ano, a Hot Dodge era obrigada a largar juntamente com eles e assim os Dodges eram alinhados atrás do último carro da TLF e as provas ficavam mais interessante para o público ver, mas que não eram nada bom para os pilotos da Hot Dodge, pois os opalas davam uma volta em cima dos Dodjões.

Beto Fazenda e o Opala da TFL na reta dos boxes

Quando a categoria começou a desenvolver-se mais, uma conseqüência natural do automobilismo, a quantidade de carros começaram a diminuírem, pois, liberaram os pneus slicks e alguns pilotos passaram a usar o pistão e coletor do caminhão Dodge a álcool, comandos Skanderiam, tuchos mecânico e balancins reguláveis, carburadores não originais e preparados, o peso foi aliviado com a liberação de vidros em acrílicos, a fuzelagem também aliviada e até aerofólios foram utilizados, ficando apenas uma lâmina de lata nas portas e capôs e os antigos tempos que eram acima de 2m50seg, foi baixando e chegou-se ao incrível recorde da pista com o piloto Beto Fazenda em 2m29seg, isto já no final da categoria em 1985.

Beto Fazenda com o carro recordista da categoria

Para vocês terem uma idéia, em 1976, nos mil quilômetros de Brasília (Div 1 – FIA), onde participavam grandes equipes como a Mercantil Finasa com mavericks quadrijeteres do Bob Sharp e Paulo Gomes, entre tantas outras e grandes pilotos daquela época, a pole position ficou com o piloto da casa Jose Carlos Catanhede e José Laurindo com o Maverick laranja da Arroz Olinda com 2m42seg23 e a vitória com o Bob Sharp e menos de 9 anos depois o Beto virou este tempo recordista da pista.

Pepe e SIlvino na reta oposta

Os grandes nomes da Hot Dodge foram os pilotos José Anísio, que vencia quase tudo, Carlos Marques que geralmente chegava em 2º (ambos da mesma equipe – Brasília Importadora), depois foi dominada pelo Osvaldo Toller Junior (Elétrica Mercúrio que virava em torno de 2m33seg e o segundo colocado em torno de 2m36seg e assim sucessivamente) e mais no final, o Beto Fazenda, que foi o último campeão da categoria. No total foram 110 pilotos que participaram da categoria desde a sua criação.
Da minha experiência pessoal, consegui realizar um sonho de colocar um carro para brincar entre colegas e aprender que automobilismo é esporte muito sério e para quem tem muito dinheiro, pois arcar com as despesas que aumentam a cada corrida juntamente com o fascínio que ela exerce sobre a gente e concluir que para conseguir sucesso é necessário muito investimento, tanto financeiro como dedicação pessoal ou então ficar na arquibancada aplaudindo os donos do espetáculo.

Jovino no Grid de 84 – minha irmã levou o carro emprestado para Goiânia e junto foi o macacão

(Agradeço a colaboração do Presidente da FADF, Sr. Napoleão Ribeiro, que forneceu algumas fotos e relação dos pilotos, os pilotos Beto Fazenda, Carlos Marques, Luiz Torres (o Lula), Luiz Cesarino e Wesber Juvenal (o Pepe) que contribuíram com fotos e esclarecimentos).
Abraço a todos…
Jovino/Brasília

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

29 comentários em “Hot Dodge…o poder dos V8 by Jovino!

  • 1 de Maio de 2008 em 12:45
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    Saloma,
    Maravilhoso e inédito material sobre esta bela categoria, a Hot-Dodge brasiliense. Parabéns ao Jovino pelo material e pelo depoimento de quem esteve lá dentro.Cheguei a ver uma prova destas, com pilotos também de Goiânia (lá acho que se chamava Stock-Dodge)como preliminar dos Mil Km de Brasilia de 1981. Era assustador o ronco dos mais de vinte Dojões rasgando o retão, a terra tremia com a passagem dos bichões.
    Bons tempos, belas corridas…

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  • 2 de Maio de 2008 em 14:33
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    Saloma e Joaquim, muito obrigado por poder mostrar um pouco do que foi a Hot Dodge aqui em Brasília. Não pude contatar todos os pilotos que queria para poder fornecer um material melhor, pois tive muita dificuldade em localizar pilotos que não via a mais de 20 anos, mas foi um momento muito especial na minha vida e acelerar um dodjão nas retas e curvas longas aqui do autódromo Nelson Piquet, é uma emoção que ficará guardada no resto da minha vida.
    Jovino

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  • 2 de Maio de 2008 em 16:20
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    Grande Jovino,
    Que época boa esta da Hot Dodge e fui muito ao autódromo curtir os veoitões e te dar uma força lá nos boxes.
    Você arrepiando com o Sincão Tufão nas avenidas de Brasíia e no autódromo com o Dodjão.
    Se lembra que o capacete que você disputou sua primeira prova foi eu quem te vendeu?
    Grande abraço e vamos nos encontrar para tomar umas e jogar conversa fora.
    Pedro Paulo

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  • 2 de Maio de 2008 em 19:10
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    Muito bom os dodgões….
    Tenho um afoto de dodges que gostaria de te mandar..
    pra ond emando?

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  • 2 de Maio de 2008 em 20:05
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    Putz, devia ser coisa de louco esse monte de Dodjão mandando ver… e é aquela coisa, ganha tanta proporção que acaba por engolir a categoria que o abrigou… e tome gente nas arquibancadas, coisa bonita mesmo…

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  • 3 de Maio de 2008 em 10:22
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    Expert898 ou simplesmente “Conhecedor”, manda vê meu camarada (lcdsalomao@gmail.com)…esses carrões sempre simpatizaram com a galera. Já participei de provas no Rio e tínhamos uma barata que era da mãe de um colega de facu. Um Dodjão preto de quatro portas. Era o maior enrrosco, final de semana conosco e durante a semana com a dona do carro. Até que conseguimos ficar com o Dodjão direto (até tínhamos patrocínio de uma empresa que colocava som e acessórios automotivos, com loja no posto 6) e aí a coisa melhorou muito, porque se tornou um carro de corrida e passamos a andar com o pelotão da frente e provas no molhado só dava nós. É tipo da coisa que não se esqueçe. E com a CxPostal cheia de pedidos para o assunto virar vou fazer uma bruta empreitada para achar fotos daquela época…
    abs a todos…
    LS

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  • 3 de Maio de 2008 em 12:49
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    Saloma,
    Coloca aqui fotos da época de vocês dos Dodjões aí do Rio de Janeiro e fale um pouco dela. Pelo que eu saiba os dodjões aceleravam em Brasília, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro.
    Aliás, os Dodges de 4 portas eram os mais rápidos, pois se colocava o motor e câmbio do Charger RT e ninguém andavam na frente deles.
    Saloma, acabo de vir do autódromo. Fui lá dar uma olhada no treino da Stock, mas não aguentei ficar 10 minutos. É ridículo estes carros andando no anel externo. Isto não parece automobilismo e nem vou perder o meu tempo indo lá assistir a corrida.
    Jovino

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  • 4 de Maio de 2008 em 13:33
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    Coisa de louco, dá arrepio só de imaginar! Uma pena que a Chrysler (incluindo a matriz norte-americana) já não se interessava em provas de circuito a partir de 1967, e o esforço da Trans-Am veio tarde demais com o Challenger.

    Saloma, essa semana vou te mandar um material bacana dentro do mesmo assunto de Dodge em circuito misto, só que lá na gringa… bem raro, por sinal!

    []s!

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  • 5 de Maio de 2008 em 11:02
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    Felipe W,
    Já mandei para o Saloma fotos da antiga divisão 3, inclusive, do Dodge do Leopoldo. Tenho fotos deste Dodge, mas colorida. Vou ver se acho e mando para o Saloma.
    Jovino

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  • 6 de Maio de 2008 em 16:19
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    Putz…eu estava lá em Brasilia este final de semana na Stock….o autódromo está igaulzinho,com exceção da passarela do guaraná Antartica na reta….mas os comecinhos da passarelas AINDA estão lá….muito legal!!!!!!

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  • 8 de julho de 2008 em 14:43
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    E ae pessoal, tenho algumas fotos tbm, tiradas da net, algumas com Dodges 1800… tentem dar uma olhada em http://www.orkut.com.br/Album.aspx?uid=11174048079291170436&aid=1209297375
    Gostaria de uma referencia pois agora que descobri que foi daqui que vieram essas fotos que o pessoal foi me passando, seria bacana creditar os autores! Quem tiver mais foto e quiser contribuir fica desde já meu muito obrigado!
    Valeu pessoal!

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  • 8 de julho de 2008 em 15:01
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    Rodrigo, é política do blog sempre dar crédito, seja pelas imagens ou pelos textos. Os direitos são dos autores e cedidos para o blog e o IG. Se vc reparar as fotos, nesse caso, vieram de Brasília, e o crédito já foi dado no texto, ok! Apareça sempre…
    LS

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  • 22 de setembro de 2008 em 16:04
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    Bons tempos vê os V8, triturando o asfalto, não perdia um racha, lembro das proezas do Mario Assunção, sempre pisando fundo, lembro de uma corrida em que o Mario saiu em ultimo, porque o Dodjão Eletrica Mércurio começou a engasgar e volta apos volta o Dodjão do Assunção chegou em primeiro…velhos tempos, pena que não voltam…

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  • 2 de dezembro de 2008 em 17:31
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    PARABÉNS PELA MATÉRIA, A SUPREMACIA DOS V8 É INDISCUTÍVEL. NOS DIAS ATUAIS, OS DOJÕES AINDA FAZEM UM PÚBLICO SELETO DELIRAR COM DERRAPAGENS CONTROLADAS E MUITOS PEGAS, MAS DESTA VÊZ EM PISTAS DE TERRA, PROVAS QUE ACONTECEM APENAS NO SUL DO BRASIL, EM SÃO JOSÉ DOS PINHAIS PROMOVIDAS PELA AGV EVENTOS AUTOMOBILÍSTICOS.
    MAIS INFORMAÇÕES NOS SITES; http://www.dan75.com.br e http://www.velocidadenaterra.com.br.

    ABRAÇO

    DAN

    CURITIBA, 02/DEZ/08

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  • 9 de dezembro de 2008 em 17:43
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    Jovino, parabéns pela matéria, voltei no tempo, muito boa sua iniciativa…encontrei o Carlos Magno (Rabicó), lembramos de algumas corridas…vamos tentar reunir o pessoal daquela época? Um abraço!!

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  • 28 de agosto de 2009 em 21:10
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    Parabens pela matéria, realmente era uma loucura muito gostosa, acompanhei tudo bem de perto, fiz parte de uma equipe patrocinada pela grafica Modelo, num dojão preto quatro portas, realmente valeu muito a pena, nos não tinhamos grana, somente muita vontade e braço pra participar das corridas, fomos no famoso ferro velho Padre Cicero no Nucleo Bandeirantes e conseguimos um dogge mais ou menos inteiro, dai fomos fazendo dele um carro competitivo, quase tudo feito por nós, santo antonio,(gaiola)e toda mecanica dia e noite a galera toda trabalhando, fazendo vaquinha, rifa e qualquer coisa que desse grana para comprar peça, participamos de quase todas as corridas, não ganhamos nenhuma mas demos muito trabalho e alegria pra galera nas rodadss, eramos bom de briga na pista, muita saudades valeu mesmo.

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  • 24 de agosto de 2010 em 00:34
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    Edit:
    Sempre fui fanático por Dodges, já tive um, preto 4 portas, que naquela época não consegui manter. Ainda vou comprar outro. Curti muito esses Dodjões nas prévias dos 1000 km de Brasília e na Hot Dodge, vi alguns aqui em Sobradinho – DF (do Beto Fazenda e Lanchão (?)), tanto que tenho esses carros no mod GN70 do simulador NR2003 da Papyrus. Garimpo as fotos na web e monto os templates. Já tenho o 57, 87, 2, 5 e os da Brasília Importadora, que não sei os nºs, o restante do grid tem Dodges de Santa Catarina, Goiânia e de outras cidades… Queria montar um grid só de Brasília e depois postar pra galera, mas pra isso preciso das fotos dos outros carros. Alguém tem como disponibilizar links ou me enviar as fotos?
    Se quiser ver seu dodge correndo nas pistas virtuais me mande fotos e eu envio umas screenshot dos pegas. Os Dodges que as fotos estão postadas já estão correndo por lá.

    Valeu mesmo rapeize do Dodjão!!!

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  • 8 de outubro de 2010 em 22:33
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    Que máximo essa reportagem, parabéns!!!
    Vou mostrar para o meu pai Eli Pimentel que foi piloto de Hot Dodge nessa epoca, esses pilotos que vc citou os nomes são amigos dele de longa data.
    Acho que na 4º foto é o carro do meu pai, o Dodge dele era amarelo, bem parecido com esse da foto.
    Muito legal, adorei!!!
    Abraço.

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  • 18 de outubro de 2010 em 22:05
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    Adorei,Parabéns, sou o Ailton Cristo, do Dodge número 87 azul da penultima foto. Esta época marcou muito a minha vida, sempre será lembrada com muito carinho, pelos amigos que fiz e da emoção que sentia ao pilotar um carro, sem as tecnologias de hoje, voce tinha que segurar no braço (cheguei a correr com pneus recapados, da pra imaginar), grande abraço a todos.

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  • 3 de dezembro de 2010 em 21:01
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    Parabéns pela reportagem!
    Bateu uma saudade grande, daqueles tempo dos dodjões,nessa epocatinha 18 anos e era chefe de escritorio na metalúrgia mercurio, onde ficava os carros de Junior(eletrica mercurio)viajamos para Goiania levando 03 motores para o preparador fazer um, ainda lembro o nome do preparador(Bené) que sempre vinha pra brasilia um dia antes da corrida para afina o motor. Bons tempo agueles.

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  • 9 de junho de 2011 em 15:57
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    Aí pessoal, sou amigo de infancia do Ailton Cristo do dodge azul 87, na época eu e meu amigo Alam Mesquita, que hoje está na Stock V8, eramos de memor,13 anos, e ajudante do mecâmico preparador o Amarildo Xavier (irmão do Ailton piloto) para entrarmos nos box, agente entrava dentro do porta mala do carro de corrida, junto com os pneus (fizemos isso por muitas e muitas) um dia fomos pegos e postos para fora dos box, KKKKKKKK, um abraço a todos, boas recordações.

    Resposta
  • 24 de agosto de 2011 em 22:07
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    fala aí !!!!
    que bom ver este blog, parabéns Jovino, corri nessa categoria, tenho muita saudade e não tenho nenhuma foto, corria no Dodge azul n° 9, gostaria de encontrar essa turma. Tenho notícias do Anício, Junior e Caland. Se tiverem fotos me mandem. que prazer relembrar esse tempo.
    abraço a todos.
    Marco Tarrafa’s

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  • 25 de agosto de 2011 em 09:09
    Permalink

    Marcos Tarrafas e demais amigos,
    Refis esta matéria lá no meu blog com mais fotos de mais pilotos, como o Toller Jr, etc.
    Se quiserem dar uma olhada o link direto para a matéria é este: http://blogdojovino.blogspot.com/2011/01/hot-dodge-os-veoitoes-roncam-no.html

    E o link do Blog é este: http://blogdojovino.blogspot.com

    O meu email é jobenevenuto@hotmail.com
    Entrem em contato comigo que tenho contato de uns 10 ex pilotos da hot dodge e poderemos fazer um encontro para recordarmos esta época maravilhosa em nossas vidas.
    Saloma, mais uma vez, muito obrigado.
    Jovino

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  • 26 de Janeiro de 2012 em 18:06
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    Caraca, que emoção relembrar tudo isso, eu corri com toda essa galera no dodge numero 16, gostaria muito de tem fotos pois não tenho nenhuma, UM GRANDE ABRAÇO A TODOS .

    lEONARDO

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  • 30 de Março de 2012 em 11:44
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    fui mecãnico do dodge numero 81, dirigido pelo Oresto, e patricinado pelo Rei das Batatas….

    Resposta

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