HISTÓRICO – A HISTÓRIA DO DKW DE PLÁSTICO NAS COMPETIÇÕES

Robert Amaral Sharp, conhecido como Bob Sharp,  jornalista e piloto automobilístico brasileiro, carioca radicado em São Paulo, começou a correr em 1962 nas 6 Horas da Barra da Tijuca e, a partir de 1963, começou a competir em São Paulo. Competiu até 1987. Foi ainda chefe do departamento de competições da Volkswagen do Brasil, na década de 1980. Atualmente é o editor do site AUTOentusiastas. E com esse currículo nos presenteará com um relato sobre uma das mais interessante experiência da história do automobilismo carioca, “o DKW de plástico”.

 

DKW de plástico, pilotos Bob Sharp e Eduardo Ribeiro #41 participando do Campeonato Carioca em 1969 no Autódromo do Rio de Janeiro   Foto arquivo Bob Sharp

 

DKW com carroceria de plástico

A Cota – Comercial Técnica de Automóveis Ltda, em Botafogo, da qual me tornei sócio em maio de 1967, era uma concessionária DKW-Vemag e tinha serviço de reparo de carroceria de GT Malzoni e Puma GT, o de motor DKW. Mas nove meses depois, com a absorção final da Vemag, a fabricante do DKW, pela Volkswagen, a Cota passou automaticamente a ser concessionária VW. A atividade da Cota envolvendo DKW estava com os dias contados.

No final de 1968 o sócio Eduardo Ribeiro tinha um DKW-Vemag sedã 1965 que pensava em vender para passar a usar carro da marca que a Cota agora representava: foi aí que nos veio a ideia de fazermos uma carroceria de DKW com várias partes em plástico — mais precisamente compósito de plástico reforçado com fibra de vidro — visando reduzir peso do sedã e com isso ficar bem mais competitivo nas pistas do que com a carroceria original de aço estampado, que pesava 945 kg.

 

DKW de plástico, pilotos Bob Sharp e Eduardo Ribeiro #41 Autódromo do Rio de Janeiro   Foto arquivo Bob Sharp

 

A estrutura da carroceria original seria mantida, mas as superfícies visíveis — as chapas — seriam feitas desse plástico, o que foi relativamente simples, pois serviram como molde. Nesse processo alguns itens foram eliminados como maneira de simplificar o carro que seria utilizado exclusivamente em corridas, como a tampa do porta-malas e as portas traseiras. Aproveitamos para tornar a seção frontal — cofre do motor, seu capô e para-lamas — uma peça única, que além da simplificação em si permitiria sua retirada completa para serviço, deixando todo o trem motriz livre para se trabalhar nele.

Desse modo a carroceria, à exceção da estrutura básica e do assoalho, passou a ser de plástico, baixando o peso para 650 kg. O DKW assim modificado se enquadrava na categoria Protótipo Experimental CBA (CBA de Confederação Brasileira de Automobilismo).

 

Bob Sharp (de costas agachado) e Eduardo Ribeiro #41 em uma das participações no Campeonato Carioca em 1969 no Autódromo do Rio de Janeiro  Foto arquivo Bob Sharp

 

O carro ficou muito rápido devido ao menor peso. Eu e o Eduardo chegamos em décimo na classificação geral na estréia do carro, na 1000 Quilômetros de Brasília em abril de 1969 (prova de resistência com um grid de 51 carros).

 

O DKW de Bob Sharp e Eduardo Ribeiro nos 1000 KM na curva da Rodoviária   Foto arquivo Sidney Cardoso

 

Reprodução da Revista AutoEsporte de junho de 1969, com a classificação geral da prova de estréia em Brasília

 

Fizemos mais algumas corridas no Autódromo do Rio naquele ano (acima), mas não havia mais propósito em continuar correndo de DKW. Compramos uma carroceria nova (ainda havia disponibilidade de peças DKW) e o carro de placas 22-09-47 foi vendido.

Mas que foi uma experiência e tanto, sem dúvida!

 

Bob Sharp

 

 

Luiz Salomão

Blogueiro e arteiro multimídia por opção. Dublê de piloto do "Okrasa" Conexão direta com o esporte a motor!

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